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Produtor de Renato Russo e jornalista que cuidou do espólio do músico falam da "Operação Será"

Por: Portal Vagalume - 28/10/2020 às 9:40

Carlos Trilha e Marcelo Froes se manifestaram nas redes sociais

Crédito: divulgação

Carlos Trilha e Marcelo Froes se manifestaram nas redes sociais

Crédito: divulgação

O produtor e tecladista Carlos Trilha e o pesquisador e jornalista Marcelo Froes se manifestaram publicamente sobre a operação policial que buscou encontrar músicas inéditas deixadas por Renato Russo (1960-1996).

A polícia civil do Rio de Janeiro deflagrou, ontem (26), a "Operação Será" depois de um ano de investigações. A denúncia original foi feita por Giuliano Manfredini, filho do músico e o gestor responsável pelo espólio deixado pelo artista. Segundo ele, músicas inéditas gravadas por Russo no seu último ano de vida estavam sendo vendidas no mercado negro. HDs e cartuchos de gravação foram encontrados e a informação de que elas traziam 30 canções inéditas do líder da Legião Urbana foram divulgadas.

Trilha, que não teve sua casa revistada, contesta esses números. Ele produziu os trabalhos solo de Russo, foi tecladista convidado nas duas últimas turnês da banda e também tocou em algumas faixas nos trabalhos finais da banda ("A Tempestade Ou o Livro dos Dias", de 1996, e "Uma Outra Estação", lançado postumamente no ano seguinte). Diz ele em postagem no Facebook:

"Diante das centenas de mensagens e dezenas de chamadas que recebi ontem devido à repercussão da operação " Será" me vi obrigado a me manifestar para esclarecer alguns pontos a quem interessar possa:

1 - A operação não se deu em meus estúdios.

2 - Marcelo Froes nunca trabalhou com Renato Russo e o mesmo nunca gravou no estúdio do jornalista-pesquisador que se auto intitula produtor musical do artista.

3 - Renato Russo só gravou em 5 estúdios, EMI, Impressão Digital, Discover, Som Livre e Ar (ultimo estúdio utilizado pelo artista).

4 - Renato Russo só teve um produtor musical e ele se chama Carlos Trilha.

5 - Não existem músicas inéditas. Existem letras não usadas por Renato que estariam sendo musicadas por terceiros, escolhidas pelo Jornalista Marcelo Froes antes da administração do espólio ser transferida para o herdeiro dos direitos.

6 - As tais "versões inéditas" de músicas que já existem é quase certo que sejam remixagens utilizando as vozes guia das faixas que possuíam este registro. (Renato odiaria isso).

7 - O que existia de material inédito já foi totalmente espremido .

É realmente uma pena que a morte de um artista conduza sua obra a um universo bizarro de pessoas de critério artístico duvidoso que nunca estiveram próximas a ele."

Froes fundou no início dos anos 90 o tabloide musical International Magazine, que trouxe, em sua primeira edição, uma longa entrevista com Renato Russo. Os dois cultivaram uma amizade desde então e outras conversas entre os dois foram publicadas no período, incluindo uma das últimas de maior duração feitas pelo músico.

Froes acabaria sendo chamado pelos remanescentes da Legião e os familiares de Russo a fazer um balanço de todo o material inédito deixado por Renato, tanto em seus arquivos pessoais, quanto nos da EMI, que lançou toda a discografia da banda, e em outros locais (como emissoras de televisão, por exemplo).

Ao contrário de Trilha, policias foram até a sua casa e levaram seu computador, e mais objetos, para perícia. No Facebook ele apenas disse o seguinte: "Estarei incomunicável, ou quase, nas próximas horas ou dias. A saúde vai bem, ou quase. Não se preocupem, isso é só para dizer que assuntos urgentes estão adiados". Mas ele, que em 2010 deixou de trabalhar em projetos relacionados à Legião ou Russo, falou com a imprensa para se defender.

Em entrevista ao Correio Brasiliense, o jornalista diz ter sido uma grande violência o que fizeram com ele, que diz que sempre guardou cópias de segurança de seus projetos.

Froes já fez trabalhos semelhantes com Gilberto Gil, Erasmo Carlos e Zé Ramalho além de ser o responsável pelo selo Discobertas, que relança álbuns raros da música brasileira.

“Eu trabalho nisso há 25 anos. Tenho backup de todos os projetos. É natural que encontrem algo de Legião, claro que vão encontrar. Há coisas de todos artistas com quem trabalhei”, falou.

Marcelo sempre foi acessível e gostava de falar com fãs da banda e jornalistas sobre o assunto. Diz ele : "Casualmente, conversei com uma menina que tinha interesse muito grande pelos bastidores. Mas, uma dessas pessoas era um fake (essa menina) que tinha um site para falar mal de gravadoras e cobrar lançamentos da Legião. Vim saber disso quando a polícia bateu na minha porta. Essa pessoa reclamava de uma forma bem agressiva, o que deve ter feito o Giuliano tomar providências. Essa situação me prejudica porque preciso do meu celular, do meu computador para fazer o meu trabalho. É uma violência."

Ele também disse não saber que "matemática foi feita" para se chegar nesse número de 30 canções inéditas divulgadas pela polícia, mas garante que há sim muito material que nunca veio a público.

 


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